Aparentemente, tem sido grande o destaque dado à passagem dos 40 anos sobre a chegada do Homem à Lua. Talvez a escassez de mais aventuras espaciais explique o facto de apesar de múltiplo de 10, o que é sempre atraente, 40 não ser propriamente um número "redondo" a merecer bandeirinhas e fanfarras. Mas façamos a vontade a quem quer fazer a festa, já que pelo menos duas publicações nacionais dão destaque à relação da Ficção Científica com este facto histórico.
A Visão História dedica o seu nº5 inteiramente à conquista da Lua. Profusamente ilustrada, esta revista de 100 páginas relata o evento e as condições que o antecederam, assim como o seu impacto no Mundo, e particularmente na sociedade portuguesa da época.
Também o lado especulativo foi contemplado. Para além de um artigo sobre as Teorias da Conspiração que rodeiam a viagem da Apolo 11 (por Alexandra Correia), três artigos (6 páginas) são de especial relevância: "Com a cabeça na Lua", por Sara Belo Luís, aborda as viagens lunares literárias anteriores a 1969, com o contributo dos Professores Maria Luísa Malato Borralho e Carlos Fiolhais; "Armstrong ou Tintim?", por Luís Almeida Martins, reconhece a antecipação de Tintim, Milou e Companhia na chegada à Lua; e "Felizmente há luar", por Ana Margarida de Carvalho, sobre a influência da Lua no cinema.
A revista Os Meus Livros de Julho dedica 4 páginas ao tema. Num artigo assinado por João Seixas, intitulado "Um pequeno passo para a Ficção Científica", são enunciadas algumas das mais importantes obras literárias sobre viagens à Lua anteriores a 1969. O artigo destaca em caixa "Um português na Lua" o livro Os exploradores da Lua, escrito por Pedro Alves de Carvalho em 1968 (na Visão História, Maria Luísa Borralho dá destaque luso a O Balão aos Habitantes da Lua, de José Daniel Rodrigues da Costa (1819)).
É ainda de acrescentar a notícia do lançamento da antologia Com a Cabeça na Lua, da editora Saída de Emergência, com organização e anotações do próprio João Seixas. Fica aqui o convite, para o próximo dia 11.
Quem acompanha com alguma atenção o mercado editorial internacional na área da literatura do Fantástico terá certamente reparado, desde 2004, no crescimento cada vez mais acelerado de um sub-género particular, entretanto denominado romance paranormal.
Independentemente (ou talvez por causa) das suas (múltiplas) raízes, dentro e fora do Fantástico, a verdade é que este tipo de narrativa tem conseguido aglomerar uma grande fatia de público. Tanto seja um público "jovem adulto", seduzido pelo seu conteúdo em romance e aventura, como um público mais adulto, talvez enfadado com o ênfase masculino da maior parte do Fantástico (fama igualmente merecida e imerecida!). Seja como for, a bola de neve já estava a acelerar ladeira abaixo quando a sua massa crítica foi aumentada pelo recente revivalismo mainstream do mito vampiro.
Por esta altura, o romance paranormal tinha já direito a um destaque especial, colonizando mesmo alguns autores que até aí se tinham identificado com o "rótulo" fantasia urbana.
Aumentando a exposição de uma temática, certo é que se aumenta a probabilidade de influenciar e fazer surgir novos autores dentro do género. Mais ainda num país, como Portugal, que é influenciado tão avassaladoramente pelas traduções de livros de origem anglo-saxónica. Assim, não é de estranhar o aparecimento de mais um autor nacional que se parece encaixar neste conceito.
Fábio Ventura tem 22 anos, é de Portimão, e vai estrear-se em breve com o livro Orbias - As Guerreiras da Deusa (edição Oficina do Livro).
Descrito pela editora como "uma fantasia moderna repleta de aventura, sensualidade e humor", Orbias segue o trajecto da jovem Noemi, confrontada com a revelação da sua própria natureza sobrenatural, pelo nosso mundo e pelo mundo paralelo que dá nome ao livro. Conveniente mistura de conceitos de fantasia e de ficção científica (que parece agradar particularmente aos autores nacionais, como, por exemplo, os casos anteriores de Inês Botelho e Frederico Duarte). Será também neste mundo paralelo que Noemi irá enfrentar, para além dos seus novos poderes e responsabilidades, os desafios colocados por Sebastien, um sedutor orbiano.
Aparentemente escrito na primeira pessoa, será certamente interessante ver como o autor se conseguiu colocar na pele da personagem principal. Não teremos de esperar muito, o lançamento está previsto para Setembro.
O MOTELx 2009 já anda nas bocas do mundo. Pelo concurso de curtas de horror; e pelo novo blogue, onde se pretende que cada leitor partilhe "experiências marcantes com filmes de terror". O realizador Filipe Melo, conhecido pela curta I'll see you in my dreams, abriu as hostilidades.
De relembrar que o MOTELx 2009 ocorrerá de 2 a 6 de Setembro, no Cinema São Jorge.
Não, o ditado popular não está ao contrário. É mesmo propositado. Vem isto a propósito da promoção que a Editorial Presença está a fazer do livro A Mulher do Viajante no Tempo. Mais precisamente 30% de desconto, no seu site de vendas, até 10 de Julho.
Esta primeira obra da norte-americana Audrey Niffenegger, editada originalmente em 2003, acabou por se revelar uma agradável fusão entre a ficção científica hard e o romance chick-lit. Penso que é precisamente esse tom leve mas rigoroso que torna este livro num presente ideal para quem se queira iniciar na ficção científica.
A promoção, anunciada exclusivamente através do Facebook da editora, pode também ser entendida como uma chamada de atenção para a adaptação cinematográfica prestes a estrear nas nossas salas (e cujo trailer peca por contar demasiado da história!). Mas, seja como for, esta é uma desculpa tão boa como outra qualquer para adquirir, e ler, este livro.
Há ocasiões que nos suscitam o interesse, não só por uma razão mas precisamente pela coincidência de várias boas razões.
No próximo dia 4 de Abril vai ocorrer um desses eventos...
Defier, de Ricardo Venâncio, é uma história pós-apocalíptica da qual podem espreitar os esboços das primeiras páginas aqui. Numa altura em que o mercado português de banda desenhada volta praticamente à não-existência, nota-se uma aposta renovada de pequenas editoras, neste caso a El Pep, maioritariamente impulsionadas por gente que também está envolvida artisticamente nessa arte.
Razão adicional: a inauguração da exposição de pranchas originais e uma sessão de autógrafos!
É com grande curiosidade que parto à descoberta deste primeiro volume do Defier, pela boa impressão provocada pelo preview e também por outros trabalhos que tenho visto do mesmo autor, que me revelaram um traço próprio muito envolvido numa estética sci-fi.
Mas a ocasião, a realizar no dia 4 de Abril, às 17h, no Espaço Chili (Rua dos Fanqueiros nº 174 1º Esq, Lisboa), tem outros motivos de interesse. Nomeadamente o lançamento dos livros Prison Stories, de Igor Hofbauer, com apresentação de David Soares (nota alta!), e do causticamente bem-humorado Mocifão, de Nuno Duarte e Untxura.
Era indubitável que a concentração de editoras na super-editora Leya traria consigo uma concentração no campo do marketing. Isso foi visível no espaço da Leya na Feira do Livro de Lisboa, que, embora legitimo e com uma orientação compreensível, se mostrou desajustado da filosofia geral do evento (qual delas estará errada, será visto no futuro: ganharemos mais com uma feira moderna, virada para quem olha o Livro como um fenómeno de bestsellers, ou com um alfarrábio gigante, para quem gosta de furar pelos fundos de catálogo? Duvido que as regras modernas do marketing sejam capazes de conjugar as duas visões!!!). Isso será visível, aposto, na forma como as várias editoras, agora chancelas (?), dentro da Leya passarão a gerir os seus orçamentos de divulgação.
À minha desconfiança de que será cada vez mais dificil que as editoras disponham de algum dinheiro para apoiar a divulgação de novos autores nacionais e a vinda de autores estrangeiros de pequena/média notoriedade, junta-se a sensação que os grandes lançamentos serão verdadeiramente GRANDES!
Vem isto a propósito do anunciado lançamento do terceiro volume da saga de fantasia de Christopher Paolini, Brisingr, a 26 de Setembro. Seis (6!) dias depois do lançamento da versão original em inglês.
A julgar pelo contador, a coisa vai ser esmerada...
PS: Para os fãs, onde não me incluo particularmente, aconselha-se o forum português dedicado ao autor e o concurso de escrita e vídeo relacionado com a conclusão da saga.
Após duas sessões completamente cheias no El Corte Inglês e na FNAC Colombo, e encontrando-se presentemente no Porto (onde falará hoje, pelas 18:30, na FNAC Norte Shopping), o autor norte-americano George RR Martin fará uma derradeira aparição em Portugal em Lisboa no sábado, às 16h, na Biblioteca Municipal de Telheiras.
Depois de ter abordado estritamente a sua saga “Crónicas de Gelo e Fogo” e o seu processo de escrita, George RR Martin irá agora falar sobre toda a sua carreira e experiências, que cobrem toda a literatura fantástica - fantasia, ficção científica e horror -, na companhia de João Seixas, critico e editor, e Rogério Ribeiro, da Épica – Associação Portuguesa do Fantástico nas Artes. Uma oportunidade para conhecer melhor a situação do género em Portugal e no resto do mundo, numa conversa com uma personalidade internacional bem acessível, simpática e de reconhecidos méritos literários.
A sessão terminará com autógrafos do autor, estando prevista a venda dos livros no próprio local, incluindo o 5º volume em pré-lançamento.
- We can't always choose our circumstances, but we can choose how we handle them.
- A philosopher once said: "When faced with untenable choices, you should consider your imperative". Look around you. Our imperative is right here: in our bulkheads, in our planes, in our guns and in ourselves. War is our imperative, and if right now victory seems like an impossibility, then there is something else to reach for: Revenge.