quinta-feira, março 22, 2012

Coisas de vanities...

Há um ditado popular que reza "Quem se mete por atalhos, não se livra de trabalhos". Quase apetece criar um ditado sucedâneo, dedicado às vanity presses, essas "editoras" que continuam a pulular no nosso mercado editorial. Quem nelas deposita a sua confiança, e o seu dinheiro, e que contribui para a sua credibilização, está muitas vezes destinado a ser apanhado na curva.

Acumulam-se os casos de falta de qualidade na revisão, de contratos ignorados depois de recebido o pagamento, de falta de distribuição e de divulgação, enfim, um desfiar infindável de notícias que já não surpreendem (ou não deveriam surpreender) ninguém.

E mesmo quando o trabalho se apresenta com melhor cara, é de desconfiar, e, tarde ou cedo, damos com o "gato". O último exemplo é o livro Isoforma, um romance de vampiros, de Rita Dinis (pseudónimo), lançado através da Chiado.


Digam lá se a capa não tem um aspecto profissional? Outra opinião teve o autor da ilustração original, o canadiano Jeff Simpson: «... so some asshole steals my image, totally butchers it and puts it on a book...».

Pois, talvez pensando que o Canadá e Portugal têm suficiente água pelo meio para ninguém dar por estas coisas, alguém, digamos, responsável pelo design gráfico decidiu que adulterar não é plagiar, e toca a "reciclar", sem autorização ou conhecimento, a ilustração Lilith do canadiano.


Duvido que houvesse necessidade da autora do livro se ver agora embrulhada nesta palhaçada, e muito menos terá sido para isso que pagou à editora.
Além disso, será sinal dos tempos que a Chiado, mesmo depois de avisada, continue a exibir a dita capa no seu site. Neste clima de empreendedorismo, quem sabe ainda ganhem uma medalha...

1 Comments:

At 6/15/2012 11:33 da tarde, Blogger Joel-Gomes said...

Lamentável. Eu próprio estive para cair na esparrela de escolher a Chiado ou Papiro para editar "Um Cappuccino Vermelho", dado que não conseguia uma editora (no sentido certo do termo) que o publicasse. Entretanto, veio a lucidez e pensei 'Pagar por pagar, faço por minha conta e não associo a minha obra a estas chancelas da treta.'

Uma última nota, também importante, contada por uma autora publicada precisamente pela Chiado, o contrato que eles assinam impede-os de pedir contas ao que têm a receber, assim como a denegrir ou difamar a editora. Tenho dúvidas que isto tenha peso legal, mas sendo um contrato assinado, mas também não duvido que muitos autores obedeçam com medo que seja mesmo assim.

Numa palavra: trafulhas.

 

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